Leão XIV elogia história dos EUA de acolhimento de imigrantes no 250.º aniversário da independência

Leão XIV elogia história dos EUA de acolhimento de imigrantes no 250.º aniversário da independência

Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano, disse que a palavra "América" se tornou sinónimo de liberdade em todo o mundo devido à forma como o país acolheu os imigrantes.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Yara Nardi - Reuters

Na véspera do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, o Papa Leão XIV elogiou a história de acolhimento de imigrantes do país, exortando os norte-americanos para que vivam de acordo com os ideais apresentados na Declaração de Independência.

Num discurso proferido em direto do Vaticano para o Centro Nacional da Constituição, em Filadélfia, ao receber a Medalha da Liberdade, Leão XIV disse esperar que os ideais de "unidade, justiça e paz" defendidos pelos Pais Fundadores guiem os Estados Unidos na sua celebração do 250.º aniversário.

"Este aniversário histórico oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre os princípios fundadores da nação, na esperança de que a América se mantenha sempre fiel ao sonho que lhe conferiu o título de terra dos livres e lar dos corajosos", afirmou.

Leão XIV, o primeiro papa norte-americano, que classificou as políticas anti-imigração do presidente Donald Trump como “desumanas”, disse que a palavra "América" se tornou "sinónimo de liberdade" em todo o mundo devido à forma como o país acolheu os imigrantes.

O pontífice, natural de Chicago, exortou ainda os norte-americanos a encontrarem "pontos em comum" e a cultivarem a "unidade", sublinhando como "sucessivas vagas de imigrantes" "moldaram o futuro do país”.

"Espero que esta tradição continue a dar frutos num debate público caracterizado pela moderação, pelo respeito pelas opiniões alheias e por uma constante disponibilidade para encontrar pontos em comum de forma a promover a causa da paz e da reconciliação", disse.

"Para que uma nação floresça, é necessário que esteja verdadeiramente unida; unida não por objetivos ligados a empreendimentos momentâneos, mas por ideais que não se desvanecem com o passar do tempo", acrescentou.

Embora nunca tenha mencionado diretamente Donald Trump, este discurso é interpretado como uma crítica velada a certas posições do presidente norte-americano, a quem Leão XIV se opôs repetidamente nos últimos meses, criticando, nomeadamente, a severa repressão da imigração nos Estados Unidos e a guerra contra o Irão.


O momento mais tenso entre Trump e o Papa ocorreu em abril, quando o presidente norte-americano apelidou o sumo pontífice de “fraco” e "incompetente", ao que o chefe da Igreja Católica respondeu afirmando que não tinha "medo" da Administração Trump.

Defendendo a liberdade e a liberdade religiosa como princípios fundamentais que moldaram a identidade americana, Leão XIV também enfatizou a importância do "direito à vida", defendendo a proteção da vida humana "desde a conceção até à morte natural", uma formulação que reflete a oposição da Igreja Católica ao aborto e à eutanásia.

"A grandeza moral de uma nação manifesta-se, sobretudo, na sua capacidade de apoiar, proteger e valorizar a vida de todos, especialmente dos mais vulneráveis e daqueles cujo valor é posto em causa", afirmou.

O Papa manifestou a sua esperança de que o 250.º aniversário da Declaração da Independência seja uma oportunidade para um "compromisso solene renovado" com os ideais fundadores dos Estados Unidos.

c/agências
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